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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Aula #003: Academicismo - Neoclassicismo


Olá, criaturas!

Poderíamos começar nossos estudos a partir da pré-história e seguir uma linha cronológica... mas optei por começar por uma arte mais clássica, mais facilmente compreendida como forma de expressão artística, por ser um momento chave de mudança: o auge da representação mimética da natureza, do processo de individualização do artista e do surgimento das belas artes e por ser o estilo que será substituído pela Arte Moderna, a partir do surgimento da fotografia. Assim, vamos tentar sintetizar os pontos fundamentais do Estilo Neoclássico, que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, a qual assumiu a direção da Sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão.

Para entender o Neoclassicismo é necessário:

- Saber diferenciar arte Clássica de Não-clássica, identificar o Neoclassicismo como o início do academicismo - que antecedeu a arte moderna - e estudar suas características.

Características:

- Surgido na Europa no século XVIII e em parte do século XIX, defendia o ressurgimento da arte clássica (grego-romana e renascentista) como modelo de equilíbrio, proporção e clareza.
- A Arte deveria ser aprendida em escolas de arte por meio de regras comunicáveis: o projeto, o desenho de construção, as exatidão geométrica e matemática, a cópia de modelos clássicos.
- Defendiam o resgate da cultura heroica e dos estilos festivos das decorações presentes nos tempos da Roma e da Grécia.
- Escultores como i italiano Antônio Canova, dedicaram-se a representação de imagens mitológicas ou representações heróicas de clérigos, governantes ou pessoas da alta sociedade, através de bustos, estátuas ou grandes conjuntos escultóricos em mausoléus.
- Na pintura, os modelos clássicos passam a representar a sociedade pós Revolução Francesa, seus valores e costumes e a simplicidade dos trajes e decorações da época. Destaque para a pintura de Jacçques-Louis David, pintor da corte de Napoleão, que desenvolveu seu estilo em inúmeras viagens à Itália, e a uma geração de seguidores do novo estilo, criados nas academias de arte, como Jean-Auguste Dominique Ingres e o próprio Debret, que trouxe o estilo para o Brasil.
- A necessidade de construção de novas escolas, hospitais, edifícios públicos, museus, etc. surgida após as revoluções Francesa e Industrial, somaram o estilo racionalista em moda com as ambições da ascendente burguesia, fazendo surgir uma arquitetura elegante e monumental. A arquitetura Neoclássica retoma as escadarias, o frontão triangular e as colunas Gregas, as cúpulas Romanas e as inovações rquitetônicas da Renascença Italiana.
- No Brasil, vemos os ecos do neoclassicismo nas origens do academicismo, após a chegada da Família Real, no século XIX, sobretudo nas obras de grandes artistas, como Nicolas Taunay (1755 – 1830), e Debret (1768 – 1848).
- Podemos ver algumas obras da arquitetura Neoclássica por aqui, como a antiga Alfândega, que hoje é a Casa França-Brasil, e o Solar Grandjean de Montigny. O estilo perdurou na moda até o início do século XX e influenciou uma geração de arquitetos como Ramos de Azevedo, que abusou do estilo em construções como a Pinacoteca do Estado e o Teatro Municipal de São Paulo.

Para maiores detalhes é só baixar a apresentação vista em sala, clicando em "003_arte_academica_neoclassicismo" e o Texto com atividades deve ser baixado, clicando em "texto_ativ_02_hist_art_3EM". Este texto contém material sobre Neoclassicismo, Romantismo, Missão Francesa e Realismo. Vale para esta e para as próximas aulas.

Baixar e entregar somente as respostas em folhas de atividade.

A seguir dois videos que pincei no Youtube para complementar os estudos.

Neoclassicismo - Prof. Fulvio Pacheco

Resumo geral do estilo neoclássico, abordando o estilo na Europa e a chegada no Brasil, através de Debret. Fulvio Pacheco é Desenhista de Quadrinhos e Professor de Artes (Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Centro Guido Viaro, FAMEC, Pós Opet, Pós-Bagozzi, Assunção e Gibiteca de Curitiba). Possui um canal bacana no You Tube e uma página no blogger, onde publica seus trabalhos.



Arquitetura Neoclássica - Prof. Luís Carlos Capellano

Vídeo sobre arquitetura neoclássica repleto de exemplos brasileiros.
Luís Carlos Cappellano é Educador, do nível fundamental até o superior, com mais de 20 anos de experiência. Possui graduação em PEDAGOGIA pela Faculdade de Ciências e Letras Plinio Augusto do Amaral (1995) e graduação em Bacharelado e Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Campinas (1987). Atualmente é professor efetivo 3 da Prefeitura Municipal de Campinas - Secretaria Municipal de Educação, atuando como Coordenador do Programa Mais Educação (MEC/SME) e do Comitê Metropolitano de Educação Integral da RMC. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: artes, educação, pintura, sexualidade humana e discriminação. Possui um canal no Youtube e um site pessoal bem detalhado sobre suas atividades científicas e artísticas.



Curiosidade arquitetônica: Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades italianas de Pompéia e Herculano que, no ano de 79 a.C.,  foram cobertas pelas lavas do vulcão Vesúvio. Diante daquelas construções, num erro de interpretação, os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco, ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. Exemplo: Casa Branca dos Estados Unidos.

Bons estudos!

Fabio Vicente

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ossário, 2006, Alexandre Órion, São Paulo.

Criaturas,

Lembram deste vídeo sobre grafite reverso que mostrei em aula, esse ano?
Veja o conteúdo completo na página OSSÁRIO - ARTE MENOS POLUIÇÃO, de Alexandre Órion. Extraí de lá o texto abaixo e o vídeo. Mas dê um pulo lá e confira também as fotos da intervenção urbana.

Abraço!

Fabio Vicente



O OSSÁRIO URBANO DE ORION

Alexandre Orion bate à porta da nossa consciência, com seu refinado grafite, para expor a morte oculta na vida vibrante da cidade de São Paulo. Na passagem subterrânea, entre a avenida Europa e a avenida Cidade Jardim, numa paciente e resoluta intervenção, Orion descobre para os olhos dos passantes o ossário que impregna as paredes do túnel. Caveiras se amontoam. Das cavidades dos olhos de tantos mortos a obra contempla os vivos, interroga os que por ali passam, interpela em silêncio a nossa omissão, o nosso conforto poluidor, o nosso "não sabia de nada".

Orion cria essas imagens descolando seletivamente daquelas paredes a película da negra fuligem que ali se depositou no curto tempo de existência daquele orifício da modernidade. Vai esculpindo caveiras na camada de fumo ali depositada pelo escapamento dos carros, até encontrar a cor natural das paredes. Retira a sujeira que nelas gruda, que gruda na nossa pele, nos nossos pulmões e nos nossos olhos para, no contraste entre o limpo e o sujo, trabalhar a sua criação, construir o seu discurso visual cidadão, gritar a sua liberdade no silêncio dos mortos. As imagens nascem da fuligem que fica. Arranca das paredes, nessa busca estética, a fuligem da nossa consciência urbana amortecida. Dá visibilidade à poluição solerte, dissimulada, traiçoeira. A poluição que mata.

Essas imagens nos falam de amor e de ódio. O amor pela cidade em que vivemos, o amor pela cidade que ela pode ser, o amor da utopia urbana, da cidade que é de todos e não só de alguns, o amor dos que, habitando a cidade, fizeram-na também habitante do próprio coração e da própria consciência. Quando não se ama o lugar da vida, não se vive, apenas se está ou se passa. Ódio, porque há consumo predatório da cidade por aqueles que a sujam, que cospem nela, que jogam lixo pelas ruas, que atiram papel no chão, saco de pipoca, copo de sorvete, maço de cigarro vazio, lata de cerveja e de refrigerante. Os que acham que são espertos porque se apropriam do que não lhes pertence, que pertence a todos. A condição humana não se expressa nessas manifestações de egoísmo. Alexandre Orion limpa pacientemente o negror da fuligem que mata, cuspida pelos carros na brancura da nossa liberdade e da nossa vida. Nas trevas da fuligem da incivilidade, sua obra é um manifesto esteticamente fino e belo.

Artista plástico e designer, o paulistano Alexandre Orion há dez anos semeia suas obras de arte nas paredes abandonadas da cidade. Nessas intervenções questiona o que a cidade faz consigo mesma, questiona o incivilizado desprezo pelo lugar em que vivemos. Expõe-se nas madrugadas frias para fixar por um instante o efêmero do seu grafite, para fazer a sua arte do instante, para revelar a delicadeza do que se despreza, para valorizar o que se deprecia. Fotógrafo, a fotografia preserva sua obra de rua, ameaçada pela fragilidade de muros e paredes, pela vulgaridade que a cerca. Sua obra é uma das vivas expressões da modernidade, artística e efêmera ao mesmo tempo, duradoura no significado e passageira na materialidade. Nos lugares em que pode ser vista, é vista num lampejo.

Tesouros da cidade não são apenas as obras que atravessaram o tempo, que até mesmo atravessaram a névoa densa do desamor pelo lugar do nosso dia a dia. Tesouros são também as muitas manifestações da criação humana sem o destino seguro da durabilidade e da permanência, como as dos museus e das praças. Deles nos lembraremos porque o belo e o que tem sentido os inscreveram na nossa memória. É nela que o efêmero se perpetua.

Falarão as próximas gerações através das nossas lembranças. Diremos aos nossos netos que um dia, no nosso tempo, alguém saiu pela cidade proclamando a beleza da vida, para que eles pudessem ter o seu tempo e o tempo de seu sonho. E eles nos invejarão por não terem tido o privilégio de ver a obra de arte nascendo e ficando nessa que é a mais duradoura das galerias, aparentemente perdida nas ruínas do tempo que flui.

José de Souza Martins - Professor de Sociologia
Publicado em O Estado de S. Paulo, 23 de setembro de 2006, p.C9.